Dra. Regiane Souza Neves

Por que, alguns líderes e chefes tem medo de contratar pessoas eficientes?

21 MAR 2017
21 de Março de 2017
Texto de 17/03/2017
Por: Regiane Souza Neves

As revistas EXAME, FORBES, BusinessWeek, Harvard Business Review entre outras de renomes nacionais e internacionais, já escreveram sobre o assunto. E este deve ser considerado um grande tema para debate no mundo político e corporativo, pois falamos exatamente do crescimento pessoal e profissional de grandes líderes e daqueles que um dia serão. Este comportamento é mais praticado do que se possa imaginar.

A concorrência no mundo político e/ou corporativo é normal e legítima. Sem ela, permaneceríamos no mesmo lugar. Por isso aqueles que iniciam na carreira esperam que seus líderes ou chefes vejam o seu brilho, sua capacidade. 

Por que, alguns líderes e chefes tem medo de contratar pessoas eficientes?

Infelizmente, alguns líderes e/ou chefes acabam deixando de lado, isolando, todo aquele que tem uma grande capacidade profissional e política, de comunicação dentro e fora do ambiente de trabalho, onde cativa pessoas, seguidores e gente que acredita naquilo que ele faz ou fala. Esse isolamento, por medo de perder espaços, muitas vezes também acontece com os demais membros do grupo com movimentos simples, como por exemplo, não convidar para um almoço ou uma festinha de confraternização, e com alguns mais complicados, como por exemplo, não passar informações importantes para o andamento das atividades do grupo.

Ser um bom profissional, isto é, ágil, eficiente, que sabe entender quais as necessidades do local de trabalho seja na área pública ou privada e que entrega bons resultados, não significa sucesso garantido.

Em algumas circunstâncias, ser bom pode significar uma barreira para o crescimento. “Na maioria delas, a insegurança do líder ou chefe é o problema”, diz o consultor Mauricio Goldstein, de São Paulo, autor do livro Jogos Políticos nas Empresas (Ed. Campus/Elsevier, 212 páginas). O líder ou o chefe, ao perceber que dentro de sua equipe existe um profissional muito eficiente e com fortes chances de ocupar o lugar dele, deixa o subordinado "na geladeira".

Sem o apoio e o reconhecimento do líder ou do chefe, a confiança do profissional fica prejudicada. “Somos treinados para sermos o melhor”, afirma Marcus Soares, professor de gestão de pessoas do Insper, de São Paulo. O profissional pode escolher mudar de área ou de empresa. Já o líder corre o risco de ficar estagnado. “Sem um bom sucessor, não há como crescer”, diz Marcus. Não importa se você é um ótimo profissional. Se não existirem espaços para crescer, você continuará no mesmo lugar. Depois de um tempo, sentirá que está estagnado. Ou seja, se não há possibilidade de seu "subordinado" crescer, você como líder ou chefe, também não crescerá.

E quando falamos em gênero, este comportamento tende a ficar ainda mais visível. Quando um homem tem receio de uma mulher tão ou mais competente que ele no mercado de trabalho ou na área política ele faz de tudo para que ela fique invisível e ele tenha o status de "mentoring", ou seja, "apadrinhamento". Mulheres quando se empoderam são excelentes estrategistas e isso realmente dá um certo pavor na maioria dos homens. O mentoring basicamente consiste em uma pessoa experiente ajudar outra menos experiente.

Quando você luta pelo seu espaço, entra em conflito. É desnecessário atacar ou se submeter. O importante é identificar e delimitar o espaço com autoridade e respeito ao outro e à você mesmo. Para isso, temos que buscar saber nas várias situações da vida o que desejamos, o que não queremos, quais nossas necessidades enquanto pessoas e profissionais, quais nossos medos, dificuldades, limitações, pontos fracos, o que queremos conquistar, desenvolver, realizar. Muitas vezes, você acredita que determinado trabalho, emprego, cargo...lhe farão crescer, não se iluda, o que lhe fará crescer é você mesmo nunca deixando de buscar ser o melhor em tudo que fizer. E aqueles que não lhe deram uma oportunidade por medo de perder espaço pra você, deixe que continuem medrosos e amargando a falta que faz alguém com o seu potencial!
Dra. Regiane Souza Neves - é doutora, mestra e especialista em Psicanálise e Saúde Mental. Pós-graduada e graduada nas áreas de Educação, Direito Educacional, Neuroaprendizagem e Psicopedagogia. Também, é especialista em Ciências Políticas e Gestão Pública.

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