Dra. Regiane Souza Neves

Tipos de redação em concursos e dicas para um bom texto

04 JAN 2018
04 de Janeiro de 2018
Para usar como referência: SOUZA NEVES, Regiane. Concursos Públicos na Área de Educação: Supervisor de Ensino, Diretor de Escola e Professor. Souza & Neves Edições. 1ª edição. São Paulo, 2017
Para se produzir uma boa redação, não existem fórmulas mágicas ou técnicas especiais. Tudo o que você precisa é seguir algumas regras essenciais, lembrar-se dos pontos estruturais (começo, meio e fim) e fazer o trabalho de distribuição das ideias de maneira correta em cada período do texto. Como você já deve saber existem três estilos de textos: dissertativo, narrativo e descritivo. 
Dissertação - Texto que se caracteriza pela defesa de uma ideia, ponto de vista ou questionamento para abordar um determinado assunto. Em geral, este tipo de produção textual costuma distribuir o seu conteúdo da seguinte maneira: 
Introdução: ponto em que se apresentam as ideias que serão defendidas ao longo do texto. 
Desenvolvimento: momento em que se desenvolvem as ideias anteriormente apresentadas, de modo a convencer o leitor por intermédio de argumentos sólidos e dados concretos. 
Conclusão: é a parte em que se elabora um desfecho coerente do desenvolvimento com base nos argumentos apresentados. 
Neste tipo de construção, é permitido ao autor acrescentar julgamentos ou opiniões para defender sua ideia, desde que se transmitam credibilidade e consistência, sem abandonar o formato de discurso persuasivo. 
Um subtipo da dissertação é o modelo dissertativo-argumentativo, o tipo de redação solicitado no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. No estilo dissertativo-argumentativa, o candidato precisa desenvolver uma tese, apresentar argumentos e uma proposta de intervenção social para tratar o problema apresentado no tema da redação. O objetivo da redação dissertativo-argumentativa é convencer o leitor.  
Narração - Caracteriza-se pela representação de fatos reais ou fictícios, envolvendo personagens e fatos que ocorrem num determinado tempo e espaço.  
A narração de fatos reais é muito comum em livros científicos, jornais, livros de História e outros. 
A narração de fatos fictícios não tem compromisso com a realidade e permite inventar e criar fatos de acordo com a imaginação de quem relata. Todo texto narrativo existe na medida em que há uma ação praticada por personagens e conta com dois elementos principais: tempo e lugar. 
O narrador pode estar ou não inserido nos acontecimentos e sofrer ações e intromissões de outros personagens de acordo com o contexto em que se passa a história. Os verbos neste tipo de texto são usados em primeira pessoa para personagens e em terceira pessoa quando um observador esta contando algum fato. 
Descrição - O termo descrever significa representar, por meio de palavras, as características de um objeto, ideia ou sentimento. Um texto descritivo tem como objetivo transmitir informações sobre seu foco principal, de modo que o leitor crie na sua mente uma imagem do objeto, pessoa, sentimento ou ser descrito. 
Os pontos de vista existentes em uma descrição podem ser exibidos de duas maneiras: objetiva ou subjetiva. 
A forma objetiva é aquela que apresenta um objeto e indica suas características principais de maneira precisa, cuidando para que as palavras não permitam mais de uma interpretação. Já a forma subjetiva acontece quando se trabalha com a linguagem para selecionar palavras ricas de sentido e o emprego de construções livres que permitem mais de uma interpretação do leitor. 

Tipos de redação em concursos e dicas para um bom texto 

É regra geral encontrarmos nos editais dos concursos todo o conteúdo programático das provas de forma detalhada, de forma que o candidato possa se preparar com antecedência, exatidão e assertividade. Infelizmente, o mesmo não acontece quando o assunto é a redação. Nem sempre fica muito claro o que será cobrado na redação, que em muitos casos é eliminatória e tem grande peso na classificação final. Existem, é claro, diversas formas de se escrever um bom texto, ou de melhorar a própria escrita, mas antes de mostrarmos todas estas possibilidades, é de extrema importância entender o que está sendo pedido no momento da aplicação da prova. Os conceitos e palavras usadas nos editais dos concursos nem sempre são comuns ao vocabulário dos brasileiros, fato que confunde muitos candidatos, que podem chegar até a data da prova sem ter a exata noção do que será pedido na etapa de redação.  
Não há fórmula certa, mas existem muitas coisas que podem lhe ajudar. Vejamos: 
- Seja um bom leitor. Um bom leitor fatalmente será um bom escritor, ou no mínimo terá mais facilidade para entender e interpretar um texto. Você não precisa se tornar um leitor voraz da noite para o dia, até porque isso é impossível, já que leitura é questão de gosto, e é um hábito que se desenvolve com o tempo. Porém uma leitura rápida de um artigo ou uma reportagem por dia já da conta do recado. Se a intenção é entender a estrutura que existe por trás de um bom texto, nada mais justo que se procure isso exatamente nos textos. 
- Treine. Não importa de que área você mais gosta, se de exatas ou de humanas; o treino é essencial para qualquer atividade que você deseja efetivar com precisão, ou pelo menos bem o suficiente para passar em algum exame. Escreva um texto de pelo menos 30 linhas por dia. Escreva um diário, invente uma história ou escreva pra si mesmo os fatos que aconteceram naquele dia. O famoso escritor inglês Phillip Pullmann costuma dizer que o que o fez se tornar um bom escritor foi o hábito de escrever pelo menos 30 linhas cada dia. Isso também serve para um concurseiro não é? 
- Conheça a sua Língua. Calma, não se assuste! Você não precisa dominar completamente o Português; na verdade nem um linguista conhece completamente uma linguagem. O que eu quero dizer é que você deve conhecer pelo menos o necessário para uma boa comunicação escrita, que é tão importante quanto a falada. Você não precisa ser o rei da gramática, mas deve pelo menos conhecer o básico dela, concordância verbal e nominal, emprego de conjunções, regência, crase e pontuação parecem coisas complicadas, mas são bastante simples na prática. Estude a sua língua e você sairá ganhando não só no concurso público, mas sim na vida. 
- Pratique a correção de seus textos. De nada adianta escrever textos e textos por dia e continuar cometendo os mesmos erros sempre. Adquira o hábito de corrigir seus textos. No início peça para um amigo ou um professor que conheça a área um pouco melhor do que você, que lhe ajude nesse processo, e vá lentamente percebendo em quais partes você costuma errar com mais frequência, e procure aperfeiçoar estas áreas. 
-Tenha conteúdo. Não, esta não é outra dica lhe dizendo para ler aos montes. Esta dica diz respeito a você se manter informado sobre os assuntos da atualidade, já que estes são normalmente os assuntos que serão pedidos na prova na hora de escrever a redação. Assista aos noticiários alguns dias por semana e folheie pelo menos um jornal ou revista por dia, afinal você só conseguirá produzir conteúdo se você absorver algum, não é? 
-Evite frases muito compridas. Seja conciso e breve. Frases muito longas cansam o leitor, tornam o texto mais difícil de ser compreendido, já que um leitor menos atento pode esquecer o que leu no inicio da frase ao chegar ao final. Uma redação é sobre a arte de ser breve e de expressar ideias o mais claramente possível usando o mínimo de palavras. 
- Escreva somente sobre o que você conhece. Nada mais desagradável do que ser enganado não é? O mesmo vale em uma redação; o examinador vai notar rapidamente se você entende ou não do assunto que está tentando dissertar. É aí que entram aquelas dicas para se manter atualizado e ter conteúdo, lembra? Seguindo essas duas dicas, fica mais fácil seguir esta aqui, já que será quase impossível pegar você desprevenido em relação a algum assunto. 
-Releia seu texto. Releia quantas vezes for possível, e o tempo permitir. Corrija tudo o que achar que está errado. Quantas vezes você fala algo, se arrepende e não pode voltar atrás? Pois é, num texto você pode, por isso use e abuse desse poder e escreva e reescreva tudo o que for necessário. É quase poder viajar no tempo. 
-Seja empático. Se você não conhece essa palavra, aqui vai a definição: empatia é a capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. Resumindo, coloque-se sempre no lugar do leitor. Como você se sentiria se estivesse lendo aquilo que você escreveu? Concordaria? Acharia tolice? Esses questionamentos podem ajudar você a prever o impacto que o seu texto causará no futuro leitor. No caso de uma redação de concurso, a banca examinadora. 
- Conheça a estrutura de uma redação. Sim! Aquela estrutura que a sua professora ensinou lá no 4º ano do ensino fundamental ainda é válida; uma redação deve ter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Parece óbvio não? Acontece que muitos candidatos acabam se perdendo na introdução do texto com frases vazias e não conseguem desenvolver o texto de forma apropriada. Evite este erro seguindo essa estrutura à risca e não corra o risco de parecer perdido no texto. 
- Entenda o que está sendo pedido. Acredito que esta é a dica mais importante aqui, e por isso a deixei por último. Para saber o que escrever você deve obrigatoriamente entender o enunciado, ou seja, você precisa entender o que está sendo pedido para você fazer. A interpretação de texto é um dos quesitos que mais reprova em concursos, pois não é apenas na redação que isso é cobrado. Esta é uma habilidade importante para a prova em geral, já que a maioria das questões, inclusive as das áreas de exatas são baseadas basicamente na interpretação. 
 

Dra. Regiane Souza Neves - é doutora, mestra e especialista em Psicanálise e Saúde Mental. Pós-graduada e graduada nas áreas de Educação, Direito Educacional, Neuroaprendizagem e Psicopedagogia. Também, é especialista em Ciências Políticas e Gestão Pública.

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